Essa declaração chamou a sua atenção? Por que, se nós devemos proferi-la todos os dias da nossa vida?  Pois é, você não é bom. Eu não sou bom. Ninguém é. E quem nos ensina muito bem acerca disso, é um homem que viu o céu… E sobreviveu para contar.

Seu tio havia morrido. Estudos extra-bíblicos nos informam que essa perda mexeu bastante com o seu emocional. Deixou-lhe “fraco”, e conforme está escrito em 2 Co 12.9, é exatamente nessa hora que o poder de Deus se aperfeiçoa na vida do ser humano. No entanto, para ele o poder não foi apenas aperfeiçoado como literalmente mostrado. O capítulo 6 do seu livro já inicia-se com esta revelação:

No ano em que morreu o rei Uzias, eu vi ao Senhor assentado sobre um alto e sublime trono; (Isaías 6.1a)

A visão de Isaías sem dúvidas demanda muitos assuntos para se abordar, mas gostaria nesta oportunidade de focar-me apenas no versículo 5 deste capítulo, onde o profeta declara:

- Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios;

Tudo bem, a ordem não é exatamente esta, mas o sentido, sim. Com tal afirmação, o profeta messiânico estava expondo o fato de conviver no meio de um montão de gente que pecava bastante com a língua. Quem sabe proferiam palavras torpes, fofocas, insultos, maldições… Enfim, seus “vizinhos” possuíam lábios impuros. Só que essa não é a grande questão do versículo ou declaração. Certamente coisas do tipo eram de ser esperar dos ímpios, dos desafortunados, bandidos, da chamada “escória” da sociedade. Mas… E de um doutor? De um homem que era quase um príncipe por freqüentar constantemente à corte Real e ser amigo daquele povo de “sangue azul”?

Difícil, não é mesmo? Alguém tão culto e importante assim não se daria ao erro de falar o que não deve, certo? Errado. Pois este era Isaías, e ele acabou confessando que, mesmo sendo quem era, ainda mais agora que começara com o ministério profético, tratava-se de um pecador tão ruim quanto todos os outros. Afinal, no episódio do capítulo 6, o profeta está vivendo um momento ímpar na vida de qualquer ser humano: diante literalmente da glória de Deus. Ele não estava apenas sentindo, como vendo também! E o que aconteceu consigo é algo que, acredito eu, acontece com todos os cristãos que possuem o temor do Senhor. Quando estão envolvidos em uma alta atmosfera espiritual, sobre a visível presença e o poder de Deus, automaticamente sentem todos os seus pecados vindo à tona e o quanto não são merecedores daquela experiência.

Só que Isaías foi além. Ele não apenas confessou o seu pecado como se igualou às demais pessoas. Em outras palavras, o que ele disse fora simplesmente “Eu não sou melhor do que ninguém, minha boca é impura como a de todo mundo!”. Isso é incrível e admirável porque as pessoas parecem que nasceram com uma irritante tendência a julgar e se acharem “mais santas” ou “menos pecadoras” que os demais. Por possuírem cargos ou títulos, ou até mesmo por terem recebido uma unção arrebatadora da parte de Deus, pensam que são mais merecedores da glória Dele. “Eu sei que sou ruim, mas não tanto quanto fulano” “Deus me deu porque não sou tão ruim quanto aquele lá”…

Hey, diante do Eterno, somos todos iguais. Pecadores e necessitados de Sua poderosa graça. Não existe um santo sequer nessa Terra, o único que existiu foi Cristo e ninguém mais. Até mesmo esses pseudo-ídolos que o homem criou como Buda, Alan Kardec, Maomé… Todos eles foram homens falhos. Pessoas que, assim como Isaías, devem confessar seus erros e abandoná-los, para então receber diretamente do altar Divino um toque flamejante que mudará para sempre a sua história.

 

Symathon Rangel

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Symathon R. Rangel é Ministro da Palavra de Deus, e também Professor dos adolescentes na EBD de sua Igreja. Escritor, Estudante de Letras e Colunista do Evangelizai com textos e vídeos voltados ao público gospel.