“Ó geração incrédula! Até quando vos sofrerei ainda?” (…)

“Se tu podes crer, tudo é possível ao que crê” (Mc 9: 19, 23)

Exercitar a fé não é algo simples, pois é algo espiritual e nós vivemos (ainda) em um corpo. Este corpo é incapaz de aceitar ou entender as coisas espirituais. Carne e espírito vivem em constante batalha dentro de nós e cada um têm as suas armas e seus frutos. Como cristãos, somos intimados a vivermos em espírito para assim anularmos as obras da carne, se quisermos ser vitoriosos.

Uma das armas mais poderosas da carne é a incredulidade. Vou exemplificar: Você está com uma doença grave. O pastor já profetizou a cura, você leu Isaías 53:4-5, mas a carne diz: “Deus vai te curar disso? Melhor você tomar seus remédios logo. Olha os sintomas piorando!” Ou então quando o tempo passa e não vemos resposta de Deus para algo que pedimos: “Ah, Deus se esqueceu de você. Sua situação só piora. Melhor desistir.” Eu poderia citar vários exemplos e contextos em que somos levados a duvidar da Palavra de Deus. Creio que todo cristão já passou por isso.

Pois bem, no texto de Marcos 9:14-29, vemos a história do jovem lunático, um rapaz possuído por um demônio que o fazia se jogar na água ou no fogo para tentar matá-lo desde criança. O pai do jovem o levou aos discípulos de Jesus na esperança de ter seu filho liberto, porém eles não puderam fazer nada. Ao ouvir isso, Jesus ficou, eu diria, irritado com a falta de fé dos seus discípulos, afinal, eles já o viram fazer muitos milagres e criam que Ele era o Filho de Deus. Interessante é que nesse ponto, os discípulos já tinham recebido a sua missão e já saíam sozinhos (de dois em dois) curando os enfermos, expulsando demônios e, sobretudo, pregando a chegada do Reino dos Céus. Mas por que não puderam expulsar aquele demônio?

Eu quero esclarecer algo que, acredito, muitas pessoas aprenderam errado (eu também aprendi errado). Assim que Jesus chegou à multidão ao redor do jovem, eles contaram para ele o que aconteceu: o pai levou o jovem para ser liberto, mas os discípulos não puderam libertá-lo. Note que, assim que Jesus abre a boca, Ele só fala de fé e incredulidade (v. 19, 23). Muitos pregadores usam essa passagem para ensinar que existem tipos de demônios que só obedecem a nossa ordem de sair das pessoas se fizermos jejum e oração. E você pode questionar que a mesma história contada em Mateus 17:14-21, lemos que Jesus diz “casta de demônios”. Está confuso?

Bem, vamos pensar: Se Jesus desde o momento em que chegou até o final falou apenas que aquelas pessoas eram incrédulas e que, se tivessem fé, nada lhes seria impossível, por que Ele falaria de jejuar para expulsar demônios? O demônio não saiu por causa da incredulidade deles. Agora percebam que quando trouxeram o jovem para perto de Jesus, o espírito o agitou com violência. Jesus já tinha dado poder para os discípulos operarem milagres, como eu disse antes. Sendo assim, certamente o demônio no corpo do jovem reconhecia o poder sobre eles, que era o mesmo poder que estava sobre Jesus e, portanto, teve a mesma reação perante eles. E aqui entra a incredulidade!

Como dito na parte 1, a fé é tomarmos uma atitude independentemente do que vemos (ou não vemos). Imagino que os discípulos impuseram as mãos sobre o rapaz e o espírito dentro dele o agitou e o jogou por terra e fez a maior bagunça. A nossa carne opera naquilo que sentimos e vemos, e é por isso que o inimigo usa muitas coisas nesse âmbito para nos vencer (ele usou isso até com Jesus nos 40 dias de jejum, lembra?). Fazer os discípulos perderem a fé de que poderiam libertar o jovem foi a arma usada pelo espírito imundo. Toda aquela “ceninha” dele teve este intuito – e ele faz isto muito frequentemente com os cristãos. Somente uma vida em espírito e de comunhão com Deus é que podemos manter a fé pra vencer.

O pr. Dave Roberson, no livro O Andar no Espírito, o Andar no Poder: O Papel Vital da Oração em Línguas, diz que existe uma forma de incredulidade muito sutil, que é difícil de ser detectada, porém, através do jejum podemos destruí-la:

“Jesus disse, ‘aquele demônio não saiu por causa da sua incredulidade’. Ele também disse, ‘aquele tipo de demônio sai apenas com oração e jejum’. E o que o jejum tem a ver com a incredulidade? Ele executa a posição da carne declarada por Deus: Ela não tem o direito de dominar você. Ela não tem o direito de controlar você. Quando você vive um estilo de vida de jejum e oração, não há nenhuma operação da carne que o diabo possa se apegar para destruir sua vida” (p. 354) [1].

Para concluir, o pr. Dave ainda diz que o jejum e a oração destroem as obras carnais e liberam o poder de Deus em você e no momento em que o nível da operação do Espírito fica acima do nível da operação da carne, então recebemos uma nova unção. Se você quiser aumentar a sua fé e romper barreiras na sua vida, jejue e ore mais para destruir esta casta de incredulidade, além de continuar lendo e ouvindo a Palavra de Deus. E lembre-se: fé é uma atitude, não um sentimento.

 


[1] ROBERSON, Dave. O Andar no Espírito, o Andar no Poder: O Papel Vital da Oração em Línguas. Tradução: Ministério Ana Maria Dias, 2008.

Leonardo é formado em Letras pela UFV-MG, leciona inglês (língua que ama desde criança) em um curso de idiomas, atua como líder de evangelismo e secretário da igreja onde congrega. Ele é louco por Jesus e pela Obra do Espírito Santo. “Viver em Deus sem limites” é o seu foco.